Publicado por: horacionoronha | 03/09/2015

Visita dos Bispos portugueses ao Papa Francisco

Os bispos portugueses realizam a partir desta segunda-feira a visita ‘ad Limina’, ao Papa e às instituições da Santa Sé, na qual vão apresentar a Francisco um retrato da vida das dioceses e do país. A partida dos responsáveis está prevista para esta sexta-feira e o programa oficial da viagem de oito dias a Roma inicia-se na segunda-feira, pelas 07h30 (menos uma Lisboa), com uma Missa junto do túmulo de São Pedro, na Basílica de São Pedro.

Duas horas depois acontece a primeira audiência com o Papa, que vai receber os bispos das províncias eclesiásticas de Lisboa e Évora, juntamente com os responsáveis do Ordinariato Castrense (Forças Armadas e de Segurança). O encontro com os bispos da Província Eclesiástica de Braga está marcado para as 11h00 e às 12h30 locais vai decorrer a audiência do Papa a todo o grupo, durante o qual Francisco apresenta um discurso, considerado orientador para o futuro da vida da Igreja Católica em Portugal.

Publicado por: horacionoronha | 30/08/2015

Os pequenos acontecimentos

“Os que desprezam os pequenos acontecimentos nunca farão grandes descobertas”. Augusto Cury

Por decreto de 24 de Agosto, o Santo Padre, através da Congregação para os Bispos, aceitou o pedido de resignação de D. Gilberto como Bispo de Setúbal e nomeou-o “Administrador Apostólico”  da Diocese, com todas as faculdades e obrigações de um Bispo diocesano, até à tomada de posse do novo Bispo. A situação da Diocese é, pois de “Sé vacante”; no entanto, a comunhão desta Igreja particular com o Santo Padre e, nele, com todo o Colégio Episcopal e toda a Igreja mantém-se e é garantida pela comunhão com o Administrador Apostólico. Assim, na Oração Eucarística deve ser nomeado, até à tomada de posse do novo Bispo, o nome do Administrador Apostólico: em vez de “o nosso Bispo Gilberto”, dir-se-á “o nosso Administrador Apostólico Gilberto”, como estabelece o decreto de 05.09.1972 da Congregação para o Culto Divino.

No uso das faculdades que lhe foram atribuídas com esta nomeação, D. Gilberto, agora Administrador Apostólico da nossa Diocese, por decreto do mesmo dia 24 de Agosto, confirmou os presbíteros, diáconos e leigos nos cargos (ofícios e serviços)  para que se encontram, nesta data, nomeados.

(Nota da Secretaria diocesana)

Publicado por: horacionoronha | 27/08/2015

O olhar com que olhamos revela a alma que temos

Com que olhos vemos o mundo?
Com que olhar olhamos os olhos que nos olham?
Que procuramos quando olhamos?
O olhar é a janela da alma
O olhar com que olhamos revela a alma que temos
Procuramos ciscos e poeiras nos olhos dos irmãos?
Crivamos nas peneiras do nosso orgulho e egoísmo
as palavras e gestos que vamos encontrando no nosso caminho?
Com que olhar olhamos?
Deixemos que o olhar de Jesus
O seu olhar de amor e paz
Penetre a nossa alma
E olhemos o mundo que nos rodeia
Os irmãos com os quais caminhamos
Com esse mesmo olhar
Olhar de paz e perdão
Olhar de ternura e compaixão
Olhar manso e humilde
Olhar de Deus

E se o nosso olhar for assim
Veremos o mundo com mais flores
Em cada esquina descobriremos um jardim
Com canteiros de mil cores
E sorrisos de alecrim
Perfumados
No olhar de cada criança
Que passa empurrando no seu olhar
Carrinhos de esperança!

(Manuel António Santos, Bispo de S. Tomé e Principe)

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O Papa nomeou hoje como bispo da Diocese de Setúbal D. José Ornelas Carvalho, antigo superior geral dos Dehonianos, de 61 anos, que sucede a D. Gilberto Reis, após este ter renunciado por motivos de idade.

A informação foi comunicada à Agência ECCLESIA pela Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé) em Lisboa.

A ordenação episcopal e a tomada de posse do novo bispo estão marcadas para o dia 25 de outubro; até essa data, o governo da Diocese continua confiado a D. Gilberto dos Reis, agora administrador apostólico.

O bispo eleito nasceu a 5 de janeiro de 1954, no Porto da Cruz (Madeira), tendo feito a sua formação religiosa na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos); foi ordenado padre na sua terra natal, a 9 de agosto de 1981.

Especialista em Ciências Bíblicas, com o grau de doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Católica Portuguesa, foi docente desta instituição académica entre 1983-1992 e 1997-2003.

Na sua Congregação, o novo bispo foi superior da Província Portuguesa, cargo que assumiu a 1 de julho de 2000; foi eleito Superior Geral dos Dehonianos a 27 de maio de 2003, cargo que ocupou até 6 de junho de 2015.

Após estes mandatos, D. José Ornelas Carvalho tinha sido indigitado, a seu pedido, para uma missão em África, como refere na sua primeira mensagem à Diocese de Setúbal.

“O Papa Francisco, que tive ocasião de encontrar pessoalmente, mudou estes planos. Quando me deu a alegria de encontrá-lo, disse-me: ‘Não te imponho, mas peço-te que vás como bispo para Setúbal… mas irás como missionário… a Europa tem necessidade de redescobrir a sua dimensão missionária’. E aqui estou, para assumir convosco esta missão eclesial”, escreve.

D. Gilberto Reis, bispo de Setúbal desde 1998, completou 75 anos de idade a 27 de maio e, de acordo com o Direito Canónico, apresentou ao Papa a renúncia ao serviço episcopal, que Francisco aceitou hoje, ao nomear o seu sucessor.

A diocese sadina foi criada há 40 anos, através da bula (documento oficial) «Studentes Nos», por Paulo VI, e o seu primeiro bispo foi D. Manuel Martins, que desempenhou estas funções entre 1975 e 1998.

Com uma população católica distribuída por 55 comunidades paroquiais, a Diocese de Setúbal tem aproximadamente uma superfície de 1500 Km2 e uma população de 717 mil habitantes, abrangendo 9 concelhos – Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal – e ainda três parcelas territoriais que integram a paróquia da Comporta (freguesia da Comporta, uma parcela da freguesia de Santa Maria do Castelo, ambas pertencentes ao Concelho de Alcácer do Sal; e Tróia, pertencente à freguesia de Carvalhal, Concelho de Grândola).

Publicado por: horacionoronha | 12/08/2015

Festa da Assunção da Virgem Santa Maria

O próximo dia 15, sábado, é o dia da Festa da Assunção da Virgem Santa Maria, dia santo.

Os horários serão os seguintes:

– Sexta-feira, dia 14, Missa vespertina de Nossa Senhora, em S. Sebastião, às 18,00 horas.

– Sábado, dia 15:

– Pragal, Missa às 11,30 horas

– S. Sebastião, Missa às 16,00 horas

– Domingo: horário habitual.

Francisco insiste que não serve de nada tratar os casais em uniões irregulares como se fosse excomungados.

“Como é que podemos recomendar a estes pais que façam tudo o que possam para educar os seus filhos na vida cristã se os distanciamos da vida da comunidade?”, perguntou Francisco, na audiência geral desta quarta-feira.
05-08-2015 11:54 por Filipe d’Avillez.

O Papa Francisco voltou ,esta quarta-feira, ao tema dos casais em uniões irregulares para defender que as comunidades façam tudo ao seu alcance para os integrar.

Na habitual audiência geral das quartas-feiras, retomadas após algumas semanas de férias, Francisco foi enfático quando abordou o tema e falou da necessidade de se olhar para a situação pelos olhos das crianças, uma vez que são elas que mais sofrem com estes casos de ruptura familiar.

“Se olhamos para estas novas uniões também pelos olhos de criancinhas, com o olhar das crianças, vemos a urgência de despertar na nossa comunidade um verdadeiro acolhimento para com pessoas nestas situações”, disse Francisco.

“Como é que podemos recomendar a estes pais que façam tudo o que possam para educar os seus filhos na vida cristã, dando-lhes o exemplo de uma fé segura e vivida, se os distanciamos da vida da comunidade, como se fossem excomungados?”, perguntou o Papa.

De seguida, esclareceu que “estas pessoas não estão de forma alguma excomungadas”, enfatizando: “Não estão excomungadas. Não serve de nada trata-las como se fossem, elas fazem sempre parte da Igreja”.

A Igreja sabe bem, disse ainda o Papa, que a situação dos divorciados e recasados contraria um sacramento cristão, mas que ela tem a obrigação de procurar o bem para as pessoas, com “coração materno”.

O Papa referia-se à situação de casais que não são casados pela Igreja, na maior parte dos casos porque um dos membros já o tinha sido mas divorciou-se e vive agora numa segunda união. A Igreja não reconhece o divórcio e por isso não aceita estas uniões como legítimas.

O tema tem estado no centro do debate na Igreja Católica, sobretudo desde que o Papa convocou um duplo sínodo sobre a Família. A primeira sessão do sínodo realizou-se em Outubro de 2014 e a segunda parte realiza-se em Outubro de 2015. Uma das questões mais polémicas é sobre o acesso aos sacramentos por parte destes católicos, mas Francisco não falou sobre esta questão.

Publicado por: horacionoronha | 24/07/2015

Um Vitral de Invocação Mariana

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No dia 26 de julho de 2015, foi inaugurado um vitral, na fachada da Igreja do Pragal. O texto que se segue foi lido pelo autor – Louro Artur – na cerimónia de inauguração.

Um Vitral de Invocação Mariana

Numa época de avaliações urbanísticas e de reconstruções arquitectónicas, devido ao terramoto de 1755, o Prior Salvador Pereira de Matos do Castelo de Almada (da então arruinada Igreja de Santa Maria ou da Nossa Senhora da Assunção) regista em 1758, nas suas Memórias Paroquiais, que “No referido lugar do Pragal se está erigindo uma Ermida com invocação de Nossa Senhora Mãe dos Homens” 1. Desconhecendo-se até ao momento o autor do risco e seus intervenientes, a sua construção regista uma realização ornamental fragmentada, entre o estilo pombalino e estilo neoclássico. O templo de planta rectangular, de uma só nave, recebeu um tecto em madeira com pintura decorativa, no qual estava representado um escudo em honra da Virgem. Uma interessante fotografia do século XIX do interior da Igreja, dá-nos uma visão da Capela-mor e Altar-mor, revestida de um retábulo em madeira policromado, semelhante ao de Nossa Senhora do Bom Sucesso em Cacilhas. Ainda hoje, a Capela-mor guarda uma singularidade temporal, em duas portas com molduras ornamentais em pedraria, suportadas por arcos de verga, convocando uma memória têxtil de reposteiro, em meio e alto-relevo, rematados por frontões interrompidos de características neoclássicas.

Em 1911, um grupo de incautos republicamos anti-clericais2 vandalizaram e incendiaram a Igreja, assim como, a Igreja do Convento de São Paulo. Na onda destruidora, salvou-se com alguma ruína, a imagem de Nossa Senhora Mãe de Deus e dos Homens. Restaurada posteriormente, guarda até hoje os sinais estéticos da sua beleza barroca; a poética pureza da sua verticalidade serena, o bom estofo dos seus panejamentos dourados e pintados, o movimento aparente e expressivo das suas vestes, o contraste de acabamentos, e o interessante adorno de coroa imperial. O Templo ficou fechado e sem culto durante longos anos, reconstruido nos anos 50 do Século XX, ampliado nos inícios do Século XXI, recebe a 26 de Julho de 2015, um vitral da autoria do Pintor Louro Artur, executado nas Oficinas dos Vitrais de Portugal em Leiria. A peça artística, edificada no janelão da frontaria da Igreja de estilo pombalino, invoca de acordo com a expressão do artista, Nossa Senhora Mãe de Deus e dos Homens. A imagem, segurando o menino Jesus, eleva a sua mão como bênção ou oração. No universo do vitral, ladeando a virgem, o sol como símbolo de energia criadora e fonte de luz. No centro do espectro solar geométrico, um círculo simbólico, recebe Jesus Cristo segurando o mundo terrestre. O pano do Vitral, é ladeado na vertical, por uma visão aparente de rosas místicas, flor simbólica da virgem. Uma luz forte e brilhante atravessa o vitral, arrastando cores e formas sagradas para o corpo da Igreja. Este tapete de vidro translúcido e luminoso, invoca Jesus e Maria para a nossa presença, a sua luz é nossa esperança e fé.

 – Estão de parabéns todos que entrarem nesta Igreja; também, a Paróquia do Cristo-Rei, a Diocese de Setúbal, e o Senhor Padre Vicente que se lembrou da ideia e o Senhor Padre Horácio que a concretizou com todo o seu dinamismo e fé.

Bem Haja.

Pintor Louro Artur 26/07/2015

 

1 – Alexandre Flores, “Memórias Paroquiais 1758”. Anais de Almada n.º 5-6

2 – Em 18 de Outubro de 1911, o assunto do assalto e a destruição foi levado a Sessão de Câmara. Meses mais tarde for organizado um processo judicial para julgamento dos responsáveis, entre os quais se incluíam maioritariamente, membros da Carbonaria local. – António Policarpo.

Louro Artur escreve de acordo com a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico (1990)

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A Diocese Setúbal celebrou 40 anos de fundação esta quinta-feira e D. Gilberto Reis, bispo diocesano, afirmou que a “Igreja jovem” continua a crescer, indicando “três grandes desafios” onde a voz do prelado e dos pastores é necessária.

“Sair de si e ir ao encontro dos outros de muitas maneiras, organizando e organizar as paróquias para ter tempo de ir ter com pessoas que estão mais longe, encontrando outra forma de linguagem, de viver o Evangelho na alegria que cativa para que as pessoas se sintam envolvidas”, adiantou D. Gilberto Reis em declarações à Agência ECCLESIA.

Para o bispo de Setúbal, a diocese deve “ajudar cada cristão a viver apaixonadamente a sua vida a partir da contemplação de Jesus” e “construir a comunhão eclesial na Santíssima Trindade onde as pessoas que se estimam, completam, são um corpo”.

Ao longo do Ano Pastoral 2014-2015, a Igreja de Setúbal celebrou os 40 anos de criação da diocese, onde o desafio foi fazer “memória agradecida” e lembrar o que foi “mais importante” em quatro décadas.

O bispo de Setúbal recorda que, há 17 anos, encontrou uma Igreja a “crescer e que está sempre em construção”, onde “foi possível criar novas paróquias e organizar novas vigararias; estruturar alguns serviços; aprofundar movimentos que já existiam”, um trabalho que acredita que vai ser “continuado” pelo próximo prelado, uma vez que, pelo limite de idade, já apresentou a resignação ao Papa.

Presente nas comemorações esteve também o primeiro bispo da diocese que recordou a entrega e disponibilidade a um povo que ao longo da história portuguesa foi sempre “muito participativo”.

“Não tinha programa pastoral, vinha para me entregar. Deus deu-me a graça de descobrir que a minha missão era mergulhar na vida do povo, o mundo era o altar da Igreja. Fiz as coisas mais mirabolantes que hoje nem acredito que tenha feito ou tenha dito”, revelou D. Manuel Martins.

Os 40 anos da Diocese de Setúbal foram celebrados com uma Eucaristia na Sé e uma sessão no Auditório da Anunciada, com testemunhos destas quatro décadas, onde se cantaram os ‘Parabéns’.

O chefe regional do Corpo Nacional de Escutas de Setúbal, João Costa, disse que a diocese dá à sociedade um “contexto de convivência, coabitação” e de “construção de projeto comum”.

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, destacou a proximidade da Igreja aos cristãos onde muitos encontram o seu “refúgio e conforto para a solidão”, bem como o papel social, cultural, económico e religioso de “grande importância”.

A provincial da Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria, que estava em Setúbal a 16 de julho de 1975, dia da criação da diocese, assinalou o “grande caminho” de uma Igreja dinâmica e um “povo de Deus comprometido”.

(Com Ecclesia)

Publicado por: horacionoronha | 06/07/2015

Encontro Nacional de Trabalhadores Cristãos

DECLARAÇÃO DE COIMBRA

Sociedade Justa e Sustentável, Com Trabalho Para Todos

A LOC/MTC – Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos realizou, um Encontro Nacional de Trabalhadores Cristãos, com o objetivo de estimular o compromisso na dinamização das organizações da sociedade e na democratização das instituições públicas, pela busca de uma Sociedade Justa e Sustentável, como nos tem desafiado o papa Francisco. Num contexto politico e socioeconómico marcado, por uma sociedade que produz pobres e excluídos, e tenta dar-lhes alguma assistência mas em dependência continuada, ao mesmo tempo que entrega os recursos naturais e produtivos a privados e a multinacionais que desenvolvem corrupção, paraísos fiscais, especulação financeira, deslocalização de empresas, Trabalhadores Cristãos, reunidos em Coimbra, declaramos publicamente: NÃO à Precariedade, Desemprego, Pobreza Três referências da sociedade atual que podem ser uma mistura explosiva.

 Os trabalhadores, com algumas exceções, estão cada vez mais pobres e sem condições de vida digna, sujeitos a grande pressão nos seus locais de trabalho pelas condições que lhe são impostas e sentem-se desmotivados, deprimidos e empurrados a aceitar, muitas vezes, situações que vão contra a sua dignidade.

 Mais de um milhão de desempregados, em 5,7 milhões em idade ativa, considerando números do desemprego oficial, mais os que já não constam do IEFP e os que são retirados destas listas por estarem em cursos de formação. Com a agravante que 80% não tem subsídio de desemprego, 20% há mais de 2 anos! Dados de dezembro de 2014.

 Não ter uma “ocupação com sentido”, um trabalho digno, é terreno propício para o aparecimento do álcool, prostituição, roubo, violência, desprezo generalizado pela vida, suicídio.

 Crianças que são retiradas dos infantários e muitas vão para a escola com fome, havendo situações em que a refeição na escola é a única que tomam em todo o dia, para além de todos os estragos afetivos resultantes do estado de alma dos adultos, pais, especialmente.

 O Aumento das doenças do foro psiquiátrico provocadas pela insegurança permanente, pelos medos acumulados, pela incapacidade de cumprir compromissos assumidos, pelo sentimento de inutilidade.

 A falta de ética e de moral de quem nos governa, as trapalhadas contínuas, a mentira, as decisões em cima do joelho, os casos frequentes de corrupção de altos funcionários do Estado e de políticos, desenvolvem o sentimento popular de descrédito na ação política, nos partidos e, pior ainda, no sistema democrático.

 A frieza, a falta de pudor e de respeito pela dignidade das pessoas por parte dos governantes é uma das notas mais relevantes da atual situação política e social, agravada pela aprovação de leis desfavoráveis aos mais fracos e desprotegidos.

 Quando se mata para sempre o emprego de adultos na força da vida e se deixam os jovens, anos a fio, à espera de nada; quando se corta nas pensões dos reformados e os idosos são reduzidos a sobrantes, a descartáveis, não está na hora de as comunidades cristãs e seus pastores se levantarem e insurgirem publicamente? Declaramos NÃO, à Precariedade, Desemprego, Pobreza, porque: A dignidade humana tem razões muito profundas

 A razão mais profunda da dignidade humana consiste na vocação do homem à união com Deus. Esta dignidade é que sustenta o direito de toda a pessoa humana ao trabalho e a um trabalho digno, mas a ausência de trabalho não significa ausência de dignidade. Quando uma pessoa se vê privada do direito ao trabalho, de poder ganhar o seu pão é duro, essa dignidade vê-se maltratada, ferida, amachucada,… mas mesmo nessa situação não perde a sua dignidade de pessoa.

 O ser humano é capaz de cooperar, renunciar a alguns privilégios, estabelecer compromissos, ser solidário e não apenas ser competitivo ou concorrente.

 Os bens da terra não são propriedade absoluta de ninguém, nem sequer só desta geração, como nos diz o papa Francisco na sua nova Encíclica.

 A sociedade pode ser mais justa quando proporcionar a todos os cidadãos oportunidades para se desenvolverem como pessoas, tendo para isso acesso aos meios políticos, económicos, educativos, culturais e espirituais, indispensáveis. QUEREMOS Participar, Formar, Acompanhar Lançar à terra sementes de uma nova humanidade

 Há sinais encorajadores: Solidariedade dos pais que ajudam os filhos mesmo com fracos recursos, solidariedade de muitas instituições e de pessoas singulares. A economia social e solidária em crescimento e o fenómeno “papa Francisco”, pelo que faz e pelo que diz, são outros sinais de esperança.

 As crises e a corrupção trazem muitos males, principalmente, aos mais desfavorecidos. Mas as dificuldades mais sentidas, a visibilidade das injustiças e a afronta ao enriquecimento escandaloso, ajuda-nos a reagir e a atuar também, encontrando forças que não imaginávamos ter.

 Nas eleições que se aproximam iremos valorizar medidas concretas que proponham prioridade às necessidades sociais em lugar dos interesses dos grupos financeiros e económicos, e subordinem a economia financeira às necessidades da economia real e do bem comum. Como disse o Papa Bento XVI na sua encíclica – Caridade na Verdade – “O primeiro capital a salvaguardar e valorizar é o Homem, a pessoa na sua integridade”.

 A participação na transformação do mundo e na ação pela justiça aparecem-nos claramente como uma dimensão constitutiva de ser cristão. Como trabalhadores cristãos queremos estimular o nosso compromisso na dinamização das organizações da sociedade e na democratização das instituições públicas. Não ficaremos indiferentes e comodamente instalados perante as tribulações e injustiças cometidas contra os mais desfavorecidos da sociedade. Vamos ser cidadãos mais ativos e empenhados na denúncia das causas que provocam uma sociedade tão desigual. Não nos vamos demitir dos nossos deveres cívicos e políticos, e seremos agentes de transformação no implementar de uma nova vivência social, baseada nos valores cristãos. E apelamos a que muitos outros cidadãos, cristãos ou não, se comprometam também nesta transformação. Acreditamos no homem e nas suas capacidades para mudar o mundo.

Coimbra 5 de Julho de 2015

LOC/MTC Tel: 21 390 77 11 – Av. Sidónio Pais, 20 – 4º Dir. 1050-215 LISBOA E-mail: loc@sapo.pt – Internet: http:// loc-mtc.ecclesia.pt

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