Publicado por: Horácio Noronha | 26/11/2014

No Parlamento Europeu: Papa Francisco deixa mensagem de esperança e encorajamento

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Uma Europa avó que já não é fecunda nem vivaz

O Papa pediu à Europa que recupere raízes religiosas e defenda a liberdade de culto. “Queridos eurodeputados, chegou a hora de construir juntos a Europa que gira não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente”.

Desafiou os representantes dos 28 Estados-membros, com mais de 500 milhões de habitantes, a deixar de parte a ideia de uma “Europa temerosa e fechada sobre si mesma” (…) ”uma Europa avó que já não é fecunda nem vivaz“.

Eutanásia e aborto

Condenou o recurso à eutanásia e ao aborto, como frutos de uma visão que reduz o ser humano “a mera engrenagem dum mecanismo que o trata como se fosse um bem de consumo a ser utilizado, mas quando deixa de ser funcional é descartado, como no caso dos doentes terminais, dos idosos abandonados e sem cuidados, ou das crianças mortas antes de nascer”.

A centralidade da pessoa humana

Segundo Francisco, promover a dignidade da pessoa significa reconhecer que ela possui “direitos inalienáveis” de que não pode ser privada por ninguém, “muito menos para benefício de interesses económicos”. Defendeu ser necessária uma abertura ao transcendente para “afirmar a centralidade da pessoa humana”, pois, caso contrário, esta “fica à mercê das modas e dos poderes do momento”.

Papel da família e do trabalho

O Papa destacou o papel central da “família unida, fecunda e indissolúvel” para a formação das novas gerações. “Sem uma tal solidez, acaba-se por construir sobre a areia, com graves consequências sociais. Aliás, sublinhar a importância da família não só ajuda a dar perspetivas e esperança às novas gerações, mas também a muitos idosos, frequentemente constrangidos a viver em condições de solidão e abandono, porque já não há o calor dum lar doméstico capaz de os acompanhar e apoiar”.

No campo do trabalho, realçou a relevância de “promover as políticas de emprego” e de “devolver dignidade ao trabalho”, procurando “novas maneiras para combinar a flexibilidade do mercado com as necessidades de estabilidade e certeza das perspetivas de emprego”. Para tal, é necessário promover um contexto social que “não vise explorar as pessoas, mas garantir, através do trabalho, a possibilidade de construir uma família e educar os filhos”.

Coragem, confiança e esperança

A terminar, o Papa argentino disse aos eurodeputados que chegou a hora de construírem juntos uma “Europa que gira, não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente”.

Arrancando novos aplausos dos eurodeputados, o Papa disse ser o momento de abandonar a ideia de uma “Europa temerosa e fechada sobre si mesma para suscitar e promover a Europa protagonista, portadora de ciência, de arte, de música, de valores humanos e também de fé. A Europa que contempla o céu e persegue ideais; a Europa que assiste, defende e tutela o homem”.


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