Publicado por: Horácio Noronha | 29/03/2015

PARÓQUIA DO PRAGAL – Um pouco de história

 Padre Vicente

       P.José Vicente Martins, S.J.

Quando a 10.01.1993 tomei posse do cargo de Pároco do Pragal, vindo da Paróquia de S. João Evangelista, onde estivera desde 03.03.1974, não entrava em terreno completamente desconhecido, por conhecer bem o P.Norberto Martins S.J. que fora meu Companheiro de Noviciado da Companhia de Jesus durante algum tempo.

Como “Comunidade de Fiéis”, a Paróquia de Cristo Rei partia de uma realidade já bastante trabalhada e prometedora, acompanhada por diversos Sacerdotes, que por passaram e por ordem recordamos:

– Pe. José do Carmo Vicente, que foi o pioneiro da reconstrução da “Ermida” totalmente degradada depois de 1910 e finalmente devolvida ao Culto em 1957.

– Pe. Camilo Neves Martins, que alugou na Rua Fernão Lourenço um armazém, para funcionar como “Salas das Torcatas”.

– Pe. Norberto Martins S.J nomeado 1º Pároco em 1976 e que já em 1973 começara a fazer diligências para conseguir um lugar de Culto na Qtª de S. Francisco de Borja, anexa à Igreja Matriz, a Igreja de Nossa Senhora Mãe de Deus e dos Homens.

– Pe. José Afonso Marques Pinto S.J.- 2º Pároco do Pragal, nomeado a 23.10.1983 que deu início ao Centro Social Paroquial, instalado na R. da Bela Vista, em lojas cedidas pelo IGAPHE em regime de comodato.

– P.José Vicente Martins S.J. nomeado como o 3º Pároco a 22.11. 1982.

A Paróquia de Cristo Rei do Pragal, com a Igreja Matriz da “Ermida”, começou extraordinariamente pobre em estruturas e equipamentos, com 3 lugares de Culto muito escassos e distantes, embora a cedência da Qtª de S. Francisco de Borja pelo IGAPHE em 1989, tivesse melhorado significativamente a situação quanto aos espaços disponíveis. No entanto, na minha maneira de ver, havia muito que trabalhar, e convencer pessoas responsáveis quanto a tornar possível a acelerar o projecto da divisão da Paróquia, logo que estivessem reunidas condições para isso, assunto que foi apresentado ao Bispo com a força que tinha quando a Paróquia cumpria já os seus 25 anos de existência. Cinco anos depois, quando se completava o 30º aniversário da Paróquia de Cristo Rei – Pragal, estava finalmente criada a Paróquia de S. Francisco Xavier da Caparica, por decreto de D. Gilberto Bispo de Setúbal, datado de 29 de Julho de 2006 na Solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, tomando posse da nova Paróquia o seu 1º Pároco a 15 de Outubro desse mesmo ano o P. José Pires S.J.

Podia respirar-se um pouco melhor na Paróquia do Pragal. A dignificação e recuperação da pequena Igreja Matriz impunham-se como primeiríssima preocupação, mas tudo o que nessa altura de concreto se conseguiu após mais de dois anos de diligências para se obter o terreno e a execução da obra, foi o Largo Fronteiro à fachada da Ermida a que se deu o nome de “Largo Armindo dos Santos”, Excelente Autarca Presidente da Junta Pragal e inesquecível amigo que a morte levou cedo.

Com a aprovação da Câmara, estava assim aberto finalmente e em definitivo o caminho para podermos concorrer a um subsídio de apoio à construção. Com o custo orçamentado em 335.000€ + Iva; pedia-se o subsídio de 225.000€, ficando a importância de 110.000€ que a boa vontade de todos ajudaria a conseguir.

Não deixava de pairar uma forte suspeita de a Paróquia estar a ser empurrada para um ciclo infindável de agravamento sucessivo de custos. Foi assim que em desespero de causa, cansados de esperar agarrados a falsas expectativas, desenganados de quem tudo adiava sem ao menos inquirir sobre as reais necessidades vendo os custos a aumentar exageradamente, a Paróquia resolveu enfrentar a obra endividando-se com um empréstimo bancário, prescindindo de subsídios governamentais que melhor fora tivessem sido negados logo à partida.

Mas… que se pretendia fazer (ou melhorar)  no Pragal?

 

  1. Ampliação do interior da Igreja: não em profundidade mas em largura a duplicar o espaço, com um arranjo da Capela – Mor a condizer com o Sacrário e com a Cruz, de maneira que o Sacrário ficasse à vista de toda a Assembleia, atraindo a sua atenção.
  2. Criação de duas Capelas Mortuárias: dispondo de todos os requisitos de higiene, salubridade, iluminação, ventilação e funcionalidade requeridos para o bom desempenho da sua finalidade.
  3. Criação de uma Residência Paroquial: Com hall de entrada, quarto, sala de estar, cozinha e instalações sanitárias.
  4. Criação de uma sala de estar; ao nível do piso da Igreja e outra em nível superior, ambas com superfície bastante desafogada e com sentido de aproveitamento funcional.
  5. Sala-Cave: Aproveitamento do desnível exterior como sala-multiusos para convívio. Festas, etc. com acesso exterior.
  6. Gabinete e Secretaria: ao nível de entrada na Igreja e com casa de banho para acesso público, com acesso exterior.
  7. Escada de acesso ao coro: Escada em caracol a partir do interior da Igreja sem lhe diminuir a capacidade, e ampliado o côro a capacidade da Igreja.

Não foi obra simples. Não foi também a grande solução para o Pragal de hoje, porque não houve a capacidade (30 anos antes) com a preocupação de futuro, quando tudo era possível. Mas foi a obra possível e inadiável nas condições já descritas, tendo-se conseguido um ganho bastante significativo relativamente ao aspecto funcional e ao aproveitamento dos espaços que se criaram.

Não foi também obra barata, para as fracas posses da Paróquia, porque a transformação a fazer era muito grande e necessariamente cara. Mas foi uma obra feita com amor e sacrifício que muitos julgavam impossível,

Concluída a obra no tempo previsto, fez-se a inauguração solene no dia 18 de Outubro de 2005 em cerimónia presidida pelo Sr. Bispo de Setúbal acompanhado por oito Padres Concelebrantes e uma grande assistência que o espaço não conseguiu conter na totalidade, e a presença da Ex.ma Presidente da Câmara de Almada, Presidentes das Juntas de Freguesias de Almada, pessoal da Empresa Construtora (Alves Ribeiro) e muitas outras pessoas gradas do meio.

Nem só o dinheiro era necessário. Quantos anónimos depositaram as suas economias para que tudo ficasse pago como ficou. Valeu a pena? O Coração diz-me que sim! E os amigos que tanto ajudaram com o seu testemunho e o seu dinheiro, dizem-me o mesmo. Ficou tudo feito? Claro que não, porque nada é perfeito. Mas valeu a pena o esforço e até a saúde que por lá foi ficando. O que nesta altura me dá imensa alegria é o Pragal ter sido entregue a quem foi. O Padre Horácio Noronha que na minha invalidez me substituiu, é a pessoa certa para estimular a população do Pragal, a viver em sintonia com o Amor que Deus espera de cada um, aquele Amor que S. Paulo nos diz que não acaba nunca e que está acima de tudo.

Obrigado P, Horácio e que a população do Pragal acompanhe sempre o seu trabalho como acompanhou o meu, de maneira que hoje eu sinta uma Saudade que não sei descrever!

  1. José Vicente Martins S.J.

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